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A primeira aula de flauta doce

A primeira aula de flauta doce cabe em quatro passos, e três deles você dá antes de soprar. Este guia é a ordem: qual flauta está na sua mão, quais notas ela dá primeiro, qual música cabe só nessas notas, e qual é a seguinte.

1. Qual flauta está na sua mão

Vire a flauta com os furos para cima e compare o quarto furo com o quinto. Na germânica o quarto é maior; na barroca, menor. A germânica é a flauta escolar vendida no Brasil, e é o sistema que o site desenha por padrão.

Isso não trava a aula de hoje. Das vinte e sete notas da soprano, seis mudam de dedilhado entre um sistema e outro, e nenhuma delas aparece nas duas músicas deste guia. Dá para começar sem saber qual das duas você tem.

Como identificar a sua flauta olhando para ela

2. As três primeiras notas

Si, lá e sol, nesta ordem, porque cada uma é a anterior mais um dedo:

As três ficam na mão esquerda; a direita só segura o instrumento. E nas três o polegar tapa o furo de trás por inteiro, sem pinçar — o pinçado só aparece na décima sétima das vinte e sete notas da soprano, bem acima de onde a primeira aula chega.

O alcance inteiro da soprano, e onde o polegar muda

3. A primeira música

Hot Cross Buns — 17 notas em quatro frases, de sol a si. É a única música do acervo inteiro cuja melodia cabe nas três notas que você acabou de aprender: não existe uma quarta nota nela, do começo ao fim.

Ela é inglesa, e isso é detalhe de país, não de método. Escola de flauta começa por uma melodia de três notas pela mesma razão aritmética em qualquer lugar: é o repertório que existe quando só três dedos estão no lugar.

A cifra dela chega assim: si la sol. Se esta for a sua primeira cifra melódica, a regra que mais derruba quem começa é a caixa da letra — minúscula é nota grave, maiúscula é a mesma nota uma oitava acima.

Como ler uma cifra melódica

4. A segunda música

Borboletinha — 42 notas em oito frases, de sol a . Ela acrescenta uma nota só às três anteriores, o agudo, e essa nota também é da mão esquerda: o indicador levanta e o dedo médio tapa o segundo furo sozinho.

É a única cantiga brasileira do acervo que cabe inteira na mão esquerda, e é por isso que ela é a segunda música e não a décima. A mão direita continua só segurando a flauta, e o polegar continua tapado por inteiro.

O acervo rotula Borboletinha como Médio, e não como Fácil, porque o já é a segunda oitava. O rótulo está certo e não deve assustar: a segunda oitava começa antes do polegar pinçado, e o pinçado só entra quatro semitons acima desse .

Depois: a mão direita entra

A mão direita entra quando a melodia desce abaixo do sol — fá, mi, ré e dó. Duas cantigas curtas fazem essa passagem inteira:

É aqui que a pergunta do primeiro passo cobra a resposta. O fá é a mais comum das seis notas que mudam entre a germânica e a barroca, e as duas cantigas acima o usam. Se uma nota sair desafinada só ela, a suspeita é o sistema, e não o sopro.

O acervo sem polegar pinçado, da mais curta para a mais longa

Dez cantigas de roda para a terceira aula em diante

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O que a cifra não ensina

A cifra melódica diz quais notas tocar e em que ordem, e não diz quanto cada uma dura. É por isso que as primeiras músicas têm de ser melodias que você já sabe cantar: o ritmo vem da sua cabeça, e a cifra entrega só o que faltava — onde pôr os dedos.

E o rótulo Fácil promete uma coisa só: que a mão e o sopro alcançam. Tocar bonito é outra conversa, feita de ritmo, articulação e andamento, e nenhum dos três está escrito numa sequência de nomes de nota.

Os três critérios que o site mede em toda música

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