A medida diz o que a tradição só sugere
O site mede toda música antes de publicá-la: quantas notas ela tem, quanto ela estica da mais grave à mais aguda e quantas notas exigem o polegar pinçado. Passadas as oito cantigas de ninar por essa medida, o resultado é uniforme de um jeito que nenhuma outra categoria repete.
- Nenhuma pinça o polegar. Zero em oito.
- Nenhuma estica mais de uma oitava. A maior extensão do grupo é de doze semitons, exatamente uma oitava.
- Nenhuma leva o selo Difícil. Três recebem Fácil, cinco recebem Médio, e o terceiro selo não aparece uma vez sequer.
Difícil, no site, é uma de duas coisas: três ou mais notas de polegar pinçado, ou extensão maior que uma oitava. O acalanto não faz nem uma nem outra, e não por acaso — é a função da música. Canção de fazer dormir é cantada baixo, devagar, a meio metro de uma criança. Ela não pode ter salto, não pode ter pico e não pode ter surpresa. O que sobra depois desse filtro é exatamente o que uma turma que aprendeu a soprar na semana passada consegue tocar.
As oito, da mais curta para a mais longa
- Brilha Brilha Estrelinha — catorze notas, a mais curta do grupo, e o desenho se repete.
- Nana Neném — vinte e duas notas entre o ré e o si da primeira oitava, sem um acidente. Leva o selo Fácil.
- Boi da Cara Preta — vinte e três notas em sol maior, com um acidente só: o fá# da escala.
- Bye, Baby Bunting — vinte e três notas dentro de cinco semitons, a menor extensão do grupo. Fácil.
- Ah ! vous dirai-je, maman — a melodia francesa de onde saiu Brilha Brilha, inteira: quarenta e quatro notas, todas na primeira oitava. Fácil.
- Tutu-Marambá — o acalanto do bicho-papão, do dó grave ao DÓ agudo, uma oitava cheia em quarenta e seis notas.
- Fais dodo, Colas — cinquenta e cinco notas dentro de sete semitons: muita nota, pouca mão trocando de lugar.
- Do, do, l'enfant do — sessenta e cinco notas, a mais longa do grupo, e ainda assim sem uma pinçada.
O que o acalanto não poupa
Uma coisa a medida desmente, e vale corrigir porque o conselho errado circula muito: acalanto não fica na primeira oitava. Cinco das oito sobem para a segunda — Brilha Brilha, Boi da Cara Preta, Tutu-Marambá, Fais dodo e Do, do, l'enfant do. O que salva não é elas não subirem, é onde elas param.
O polegar só começa a pinçar no MI agudo. Do DÓ ao RÉ agudo a flauta continua tocando sem pinçar, e é dentro dessa faixa que os cinco acalantos sobem e voltam. Vale nos dois sistemas: germânico e barroco divergem em seis notas, e nenhuma delas muda o polegar.
Então não sai da primeira oitava é o critério errado para escolher a primeira música da turma, e não pinça é o certo. É por esse segundo que o acervo filtra.
A ordem da primeira semana
A ordem que funciona é a de tamanho, e não a de gosto: a turma aprende a peça inteira numa sessão, sai da aula sabendo tocar alguma coisa, e volta. Estes dois endereços já abrem ordenados.
Cantigas de ninar, da mais curta para a mais longa
O acervo inteiro sem polegar pinçado, da mais curta para a mais longa
Quando o acalanto do acervo acabar, o degrau seguinte é a Canção de Ninar de Brahms: mesma função, mesma ausência de pinçado, e uma oitava cheia de extensão em cinquenta e uma notas. O acervo a guarda entre as clássicas, e não aqui.
O que torna uma música fácil, medido nota por nota
As cantigas de roda, para quando a turma já toca a melodia inteira