As duas juninas do acervo
- Capelinha de Melão — 51 notas em seis frases, de
miaDÓ, e nenhuma delas pinça o polegar. - Cai Cai Balão — 30 notas em quatro frases, de
dóalá. Não sai da primeira oitava e não pinça: é exatamente o corte que o site rotula como Fácil.
A diferença prática entre as duas está numa nota. Cai Cai Balão não sai da primeira oitava, e o polegar fica tapando o furo de trás do início ao fim. Capelinha de Melão sobe até o DÓ, que já é a segunda oitava — e mesmo lá o polegar continua tapado por inteiro, porque o pinçado só começa quatro semitons acima. As duas fecham a ficha com zero pinçadas, e é a pinçada que trava turma iniciante.
As duas também trazem a letra alinhada com as notas na própria página, e isso resolve o que a cifra melódica não resolve sozinha: ela escreve quais notas tocar e em que ordem, e não escreve quanto cada uma dura. Com a letra embaixo, a turma canta e a duração aparece.
Por que a lista é curta
Quase todo o repertório junino que a escola canta ainda tem dono. O acervo nasce de melodia em domínio público, e nenhuma destas quatro chegou lá:
- Pula a Fogueira — Getúlio Marinho, morto em 1968.
- Chegou a Hora da Fogueira — Lamartine Babo, morto em 1963.
- Balancê — Braguinha, morto em 2006.
- Olha pro Céu — Luiz Gonzaga, morto em 1989.
No Brasil a proteção dura setenta anos contados do primeiro dia do ano seguinte ao da morte do autor. A mais antiga das quatro, a de Lamartine Babo, entra em domínio público em 2034; a de Braguinha, em 2077.
Isso é posicionamento, e não desculpa. Cifra de sucesso comercial exige licença, e essa busca fica com quem pode pagá-la. O que resta — folclore, cantiga de roda, natalina, hino, clássico simplificado — é quase exatamente o repertório que a aula de flauta doce toca, e é por isso que este nicho estava vago. Guia que promete o que o acervo não tem gasta a viagem de quem clicou: se você veio atrás de Pula a Fogueira, ela não está aqui.
Existe um caminho para a lista crescer antes de 2034, e ele não depende de esperar. O acervo aceita contribuição de quem visita: quadrilha de raiz costuma ser anônima e antiga, e uma melodia dessas transcrita por você pode virar página com o dedilhado desenhado, no seu nome.
O que completa o arraial
Nenhuma das seis abaixo é junina. São brasileiras de domínio público, medidas pelo mesmo critério, e é delas que sai o resto de uma apresentação de junho:
- Marcha Soldado — 54 notas, sem sair da primeira oitava e sem nenhuma pinçada.
- Fui no Itororó — 28 notas, a mais curta de todo o folclore brasileiro do acervo.
- Pirulito Que Bate Bate — 32 notas em quatro frases.
- O Sapo Não Lava o Pé — 33 notas, de
miaDÓ. - Sambalelê — 68 notas em oito frases, e a única desta lista com bemol na cifra.
- Terezinha de Jesus — 90 notas em doze frases, a mais longa daqui.
Ver o folclore brasileiro inteiro
Folclore brasileiro sem polegar pinçado, da mais curta para a mais longa
Antes de fechar o repertório
Junho tem a mesma pressa de dezembro: entre a decisão e a apresentação cabem poucos ensaios, e a conta que decide não é de gosto, é de calendário. Cada linha do acervo diz o tamanho da música em notas antes de você abrir a página.
Se a turma nunca tocou, comece pelo percurso da primeira aula