Não é a mesma coisa que cantiga de roda
As duas se confundem, e a diferença muda o planejamento da aula. Cantiga de roda é a turma andando em círculo e cantando: todo mundo faz o mesmo gesto ao mesmo tempo, ninguém tem tarefa individual, e a música pode se esticar. Brincadeira cantada tem tarefa — passar o objeto na batida certa, acertar a palma do par, trocar a palavra pelo gesto na volta seguinte — e a melodia precisa caber no que sobra de atenção.
A medida do acervo mostra isso. Das dez brincadeiras cantadas, nove têm menos notas que a música mediana do acervo, e nenhuma das dez leva o selo Difícil. Melodia curta não é uma limitação desse repertório: é o requisito que o fez nascer assim.
As cantigas de roda, e por que elas são outro momento de aula
As brasileiras que a turma já brinca
Estas sete estão em duas categorias diferentes, e vale saber antes de procurar pela categoria: as quatro primeiras o acervo guarda em folclore brasileiro, as três últimas em brincadeira cantada.
- Escravos de Jó — a de passar a pedrinha de mão em mão. Cinquenta e uma notas do dó grave ao DÓ agudo, sem polegar pinçado, e as duas últimas frases são idênticas.
- Pirulito Que Bate Bate — a de bater as mãos em dupla. Trinta e duas notas, e a última frase desce sete degraus seguidos sem pular nenhum.
- Borboletinha — quarenta e duas notas em quatro alturas ao todo: sol, lá, si e DÓ. Toda frase começa igual.
- A Dona Aranha — a do gesto de subir com os dedos, e a melodia sobe junto. Setenta e duas notas, sem um acidente e sem pinçado, no tom em que está publicada.
- O Meu Chapéu Tem Três Pontas — cada volta troca uma palavra por um gesto, até a música virar mímica muda. Trinta notas, do dó grave ao DÓ agudo, sem um acidente.
- Lagarta Pintada — a que termina com puxão de orelha. Quarenta e oito notas, melodia quase pentatônica, e ela para no RÉ agudo: a última nota antes de o polegar precisar pinçar.
- Com Quem Será? — o refrão que se emenda no fim do Parabéns, apontando para quem faz aniversário. Catorze notas entre o dó e o lá, e a única das dez com o selo Fácil.
As estrangeiras da mesma família
Palma em dupla e cantiga de sorteio existem em todo lugar, e as melodias costumam ser primas. Estas sete completam a categoria.
- As-tu vu la casquette ? — vinte e uma notas, a mais curta destas sete, nenhuma pinçada.
- Ainsi font, font, font — a das marionetes, cantada virando os punhos. Vinte e cinco notas e uma pinçada, no MI agudo.
- Miss Suzy Had a Baby — de bater palmas em dupla, vinte e seis notas, nenhuma pinçada.
- Une poule sur un mur — cantiga de sorteio, para decidir quem começa. Vinte e oito notas e uma pinçada.
- Ragotin — trinta e oito notas dentro de cinco semitons: a melodia quase não sai do lugar.
- A Sailor Went to Sea — a palma do marinheiro, da mesma família melódica de Miss Suzy e um pouco mais longa: trinta e nove notas.
- Coucou — sessenta e seis notas, a mais longa da categoria, com uma pinçada no FÁ agudo.
Montando a aula que precisa de movimento
Só três das dez pedem polegar pinçado, e as três pedem uma nota só. Isso decide o que dá para fazer com a turma dividida: metade toca a melodia na flauta enquanto a outra metade executa a brincadeira, e depois trocam. Uma única nota pinçada no meio de uma peça de vinte e cinco notas trava esse revezamento inteiro, então vale filtrar antes de escolher.
Brincadeiras cantadas sem polegar pinçado, da mais curta para a mais longa
Folclore brasileiro sem polegar pinçado, da mais curta para a mais longa
Cada página de música separa a melodia em frases, e é aí que a repetição aparece: em quase todas estas cantigas duas frases são a mesma coisa escrita duas vezes. Ensaiar uma resolve as duas, e é isso que faz o repertório de brincadeira caber numa aula só.