O alcance: duas oitavas e um tom
A soprano vai da nota mais grave que ela toca até dois tons acima de duas oitavas depois — na prática, vinte e sete semitons sem pular nenhum. Toda nota cromática dentro desse intervalo tem dedilhado, incluindo os sustenidos e bemóis.
O que fica de fora fica de fora de verdade: uma música que desce abaixo da nota mais grave não sai na soprano, por mais que você sopre. A saída é transpor — subir a música inteira alguns semitons até ela caber. É por isso que a Cifra Visual avisa quando uma nota está fora do alcance e sugere a transposição que faz a música inteira caber num clique.
A primeira e a segunda oitava
As doze primeiras notas formam a oitava grave. Nela o polegar fica tapando o furo de trás por inteiro, e os dedos da frente vão levantando um a um conforme a nota sobe. É a região onde a maioria das cantigas infantis vive, e é onde quem está começando toca com mais segurança.
A partir da virada, a flauta entra na segunda oitava. As quatro primeiras notas agudas ainda saem com o polegar tapado por inteiro — a passagem ainda não exige nada de novo. Da quinta em diante, sim: aí entra o polegar pinçado.
O polegar pinçado
Pinçar é tapar o furo de trás só pela metade, deixando uma fresta estreita com a unha do polegar. É essa fresta que faz a coluna de ar quebrar e a flauta subir de oitava. Nos diagramas do site ele aparece como ◐ — meio pintado, meio vazado.
É o gesto que mais trava quem está aprendendo, e é por isso que cada música do acervo diz, antes de você abrir, se pede polegar pinçado e em quantas notas. Quem está montando repertório para uma turma iniciante pode filtrar o acervo inteiro por só sem polegar pinçado e ver o que sobra.
Filtrar o acervo por dificuldade
O dedilhado depende da flauta
Seis notas do alcance têm dedilhado diferente conforme a flauta seja germânica ou barroca — e o fá é a mais comum delas. Se o dedilhado que você viu num lugar não bate com o que sai na sua flauta, é quase sempre isso.